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domingo, 10 de maio de 2009

A sinopse do Sonho....




O SONHO


Sonhe com aquilo que você quiser.


Seja o que você quer ser,
porque você possui apenas uma vida
e nela só se tem uma chance
de fazer aquilo que quer.


Tenha felicidade bastante para fazê-la doce.
Dificuldades para fazê-la forte.
Tristeza para fazê-la humana.
E esperança suficiente para fazê-la feliz.


As pessoas mais felizes não têm as melhores coisas.
Elas sabem fazer o melhor, das oportunidades
que aparecem em seus caminhos.


A felicidade aparece para aqueles que choram.
Para aqueles que se machucam.
Para aqueles que buscam e tentam sempre.
E para aqueles que reconhecem
a importância das pessoas que passam por suas vidas.


(Clarice Lispector)

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Poema Outonal.....




C L I M A S


Toda a tarde choveu e anoiteceu...

A vontade que tive de sair
pelo mundo fora... a passear... devagar...
ao sol, com força e alegria,
toda, tudo se amoleceu e se afundou...

Quando, em volta,
a sombra começou a esconder-me e a disfarçar,
fui só fechar a janela
para adormecer
ao som da chuva na vidraça...


(BRANQUINHO DA FONSECA) in Presença, nr.22

terça-feira, 27 de maio de 2008

Poema - 30



Peixe grande


Aprendi deste momento único
A experiência sensível do existir.
Um flutuar distante e ausente.
O estágio quase dormente
em que a alma passeia.
Dispersa-se na areia.
Encontra outro porto.
Meu corpo, absorto
não mais doeu daquela dor,
dos troncos das árvores,
em meio ao vendaval.
Pois que livrou-se das raízes.
Em sendo totalmente livre,
Galhos eram asas e suas folhas
Penas pequenas de suave deslize.

Aprendi deste momento único:
Sobrevive quem sabe ir embora.
Pássaro não canta em gaiola.
Peixe grande visita a orla
Mas segue a vida em alto mar.
Pelo momento deixo estar.
Logo liberto-me das âncoras de agora.
Despejo meus sentidos mundo afora.
E quando enfim conhecer a calma
Resgato a semente da alma,
E apresento-lhe um novo lar.

PATI BRAZIL

(do blog Golpes de Grafite)/Net

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Poema - 28

E S P E R A

Como está triste este dia.
Frio, vento, solidão.
E com uma chama luzidia
Me aqueço, sozinho, neste casarão.

Percorro os meus sonhos, lentamente.
Percorro o meu mundo ideal,
Onde vivo, temporariamente,
Quando a tua ausência é total.

É uma ausência dolorosa,
Como todas as são,
Quando quem vai embora
É dona de todo o meu coração.

Mas eu sei que a distância
Traz a saudade e nunca o esquecimento.
E essa tua natural fragrância
Cala, por breves instantes, o meu tormento.

Mas é muito tempo sem te ver,
Logo na altura que agora impera
Em que o amor acaba por vencer
Mesmo naqueles que não estão à espera.

Porém eu tenho que esperar
Muito mais que ninguém.
Mas quando a minha hora chegar,
Verás o que significa realmente a palavra amar....


(GONÇALO MAGALHÃES)

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Poema - 27

EX - LIBRIS

Todos bebem o seu vinho,
De qualquer modo - mesmo os que não bebem:
Porque também é vinho o que concebem
Para esquecer o caminho.
A poesia é o meu vinho;
- Que importa o que os outros bebem?

Carlos Queiróz

domingo, 3 de fevereiro de 2008

Poema - 26

BUTTERFLY


Como outras mais
borboletas também, iguais
rompo o cerco que me prendia
solto as asas, nos olhos... a alegria

No ar, a felicidade que voa
no peito algo destoa
sou como todos os casulos
mas, no peito, sonhos nulos

Como um mosaico gigantesco
a profusão de cores em um arabesco
animais ou vegetais
todos desiguais

Sentimentos desencontrados
as dores afetam o cotidiano
tudo tão ambíguo
quem cortou meu umbigo???

Procuro o caminho de volta
o mundo me revolta
ainda tantas maneiras eu tento
mas é impossível v
oltar no tempo.

(Lara Cardoso)

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Poema - 25

POEMA


Procuro a cópia exacta da minha vida
e não encontro (um deus não serve
um deus criei-o eu e ele depois degenerou em
verve
na imaginação dos mais)
talvez uma criança adormecida
talvez se pareça com uma árvore
na mão dos temporais.

…Talvez se pareça com muitos pensamentos
que digam e contradigam e afirmem e neguem
- neguem o que afirmem como ventos
que façam andar mas depois já perseguem
na tempestade o barco à vela.

Parece-se talvez mais com os ventos
e com aquela estrela de papel
que tem sonhos infantis e a esperança
de vir a ser a estrela verdadeira
do bom-pastor ou da bonança
… ou a estrela da cegueira.

Talvez com uma árvore…
talvez…
talvez com aquela frase que gravei no mármore
- azul ou verde, mas, deus, de que cor? –
que não existia e era feito talvez da dor
que tudo faz e tudo constrói numa ânsia
louca de exceder o criador.

Afinal parece-se com um poeta de amor
dalguém que ame a distância
e a ingenuidade duma flor.

…E a dor, afinal,
é o mais individual
poema d´amor.


(ANTÓNIO DE NAVARRO)

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

Poema - 24

RECORTES

Os meus recortes fugindo para o Sul!
Velozes, tão velozes!
Ainda ontem desdobrados
e hoje azuis de corpo inteiro!...
E a sombra de olhar circundante,
num passo apressado e decidido,
e a minha forma entregue, aberta,
escancarada,
mas a barreira caída em falta de sinais.

Eu não soube cortá-los pelo meio,
colá-los
nas páginas onde os sentiria com os meus dedos
- igual aos cegos diante de um livro para cegos,
porém sentindo mais e muito mais
e cego eu fosse aos livros de mim próprio!

Os meus recortes
fugindo para o Sul no carroussel:
amanhã, um dia, tornarão a passar,
tornarão a fugir…

E eu talvez então nem fale
- porque falei hoje.


(Jorge de Sena)

domingo, 20 de janeiro de 2008

Poema - 23



FIDELIDADE

Diz-me devagar coisa nenhuma, assim
como a só presença com que me perdoas
esta fidelidade ao meu destino.

Quando assim não digas é por mim
que o dizes. E os destinos vivem-se
como outra vida. Ou como solidão.

E quem lá entra? E quem lá pode estar
mais que o momento de estar só consigo?

Diz-me assim devagar coisa nenhuma:
o que à morte se diria, se ela ouvisse,
ou se diria aos mortos, se voltassem.

JORGE DE SENA

domingo, 13 de janeiro de 2008

Poema - 22


MEU MENINO INO, INO

1

Dos versos que exprimem,
Estou cansado!

Das palavras que explicam,
Estou cansado!
Dos gestos que explodem,
Estou cansado!

Ai, embala-me, fútil, e frágil, no ó-ó dos teus versos,
Ai, encosta-me ao peito...!

Mais não quero que ser embalado.

2

O menino está doente...
- Diz a mãe.

Qui-é qui-é
Que o menino tem?

Ai...!
- Diz o pai.

A criada velha chora pelos cantos
E reza a todos os santos...

Afirma o senhor doutor
Que amanhã que está melhor.

O pai suspira:
- Quem sabe lá ?!

E o menino diz
- Papá... !

A mãe chora:
- Quem já me dera amanhã !...

E o menino diz:
- Mamã...!

E, com a febre, rezinga,
E choraminga,
Olhando a lua amarela
Como uma vela:
- Quero aquela pela...!

Mas o Pai do Céu sorri:
- Vem cá vê-la !
É para ti.

3

- Acabaste?

- Meu amor, acabei.

- Apagaste a candeia? Apagaste?

- Meu amor, apaguei.

- E fechaste o postigo? E fechaste?

- Meu amor..., sim, fechei.

- Que rumor é aquele? Não sentes?

- Meu amor, que te importa?
É a vida a dar socos na porta.
É lá fora. São eles. É o mundo. São gentes...

- São gentes? Quem são?

- São colegas, amigos, parentes...

- Vai dizer-lhes que não ! Vai dizer-lhes que não !

(José Régio)