domingo, 23 de março de 2008

DOMINGO DE PÁSCOA - A Ressurreição....



Páscoa significa «passagem».

A origem desta festa perde-se na noite dos tempos. Inicialmente, era uma festa de pastores, que no início da primavera, imolavam um cordeiro do rebanho. Os hebreus transformaram esta festa pastoril no «memorial» da libertação do Egipto. Era imolado o cordeiro pascal, sinal da «passagem» de Deus, que faz passar o povo eleito da escravidão para a terra da liberdade.

Para os cristãos é a festa principal do ano litúrgico, em se «comemora» a morte de Cristo na Cruz e a Sua Ressurreição. É sempre «passagem», intervenção de Deus, que ressuscita o Filho, morto na Cruz, naquele extremo despojamento e aparente abandono. De algum modo, Deus rompe o silêncio, ressuscitando Jesus, que passa da morte à vida e da Paixão à Ressurreição: passa deste mundo para o Pai, para a esfera divina, também na Sua humanidade, agora gloriosa.

1. Este homem, que vós eliminastes, «suspendendo-O na Cruz, Deus ressuscitou-O ao terceiro dia e permitiu-Lhe manifestar-Se… a nós que comemos e bebemos com Ele, depois de ter ressuscitado dos mortos». É o testemunho dos Apóstolos, como escutámos na 1ª leitura.

Ninguém presenciou o momento da Ressurreição de Jesus. Não há – digamos assim - «vestígios históricos», que possam ser documentados pelos historiadores. A Ressurreição de Jesus é real, mas transcende a história. Só é acessível aos olhos da fé, baseada no testemunho apostólico. O que os Apóstolos testemunham é que encontraram o sepulcro vazio, naquela manhã de Páscoa e que o Ressuscitado «Se mostrou» a eles, em diversas ocasiões, até «subir ao céu», isto é, voltar para o mundo de Deus.

Como escutámos, no texto evangélico, «Maria Madalena foi de manhãzinha… ao sepulcro e viu a pedra retirada do sepulcro. Correu então e foi ter com Simão Pedro e com o outro discípulo que Jesus amava e disse-lhes: “levaram o Senhor do sepulcro e não sabemos onde O puseram”. Pedro partiu com o outro discípulo e foram ambos ao sepulcro». Simão Pedro «entrou no sepulcro e viu as ligaduras no chão e o sudário…, enrolado à parte. Entrou também o outro discípulo…: viu e acreditou».

«Viu» o quê? O sepulcro vazio e lembrou-se, então, do que dizia a Escritura, «segundo a qual Jesus devia ressuscitar dos mortos». «O discípulo que Jesus amava» - seja ele quem for historicamente – representa o discípulo ideal, que, com a intuição do amor, sabe descobrir os sinais da Ressurreição.

2. Ser cristão é acreditar em Jesus Ressuscitado. Como aconteceu com os Apóstolos, a nossa é uma fé pascal, no sentido de tem o seu fundamento na Ressurreição de Jesus: «Se Cristo não ressuscitou é vã a nossa fé» (2 Cor 15, 19) – diz-.nos S. Paulo. Mas Ele ressuscitou, comprovando a Sua pretensão de ser Filho de Deus e Salvador da humanidade.

A nossa é uma fé pascal, porque acreditamos na Ressurreição de Jesus como novo tipo da Sua presença no meio de nós: uma presença real, mas invisível: presença espiritual, porque se realiza por meio do Espírito Santo.

A nossa é uma fé pascal, também porque acreditamos que a Paixão é caminho de Ressurreição. Quem ressuscita é o Crucificado. Não há Ressurreição, sem Paixão. Nós, discípulos do Crucificado Ressuscitado, vivemos «o já» da Ressurreição, garantia da vitória final, no «ainda não» da Paixão, que é condição de vida.

3. Por isso a fé pascal é esperança certa. Não mera probabilidade. A Carta aos Hebreus define a fé como «garantia das coisas que se esperam e certeza das que não se vêem» (11, 1). Como afirma S. Paulo, sofremos como que dores de parto, até se manifestar a libertação total e definitiva. «Porque na esperança é que fomos salvos. Mas, a esperança que se vê não é esperança, pois aquilo que alguém vê, como é que o espera ainda? Mas, se esperamos o que não vemos, com paciência o esperamos» (Rm 8, 24).

O que não significa resignação, mas esperança activa, que é compromisso de quem acredita na vitória da vida e da história. O que aconteceu com a Cabeça do Corpo, acontecerá também com os membros do Corpo. N’Ele é regenerada a humanidade, na medida em que seguir os Seus «passos» do caminho sofrido da Paixão, cujo desenlace final é a Páscoa da Ressurreição, possibilidade divina das impossibilidades humanas.

É esta esperança, que celebramos na Festa da Páscoa, que é o Domingo, Dia do Senhor Ressuscitado. Faz, pois, todo o sentido que hoje, Domingo de Páscoa, troquemos uns com os outros votos de Festas Felizes, na alegria e esperança de Cristo Ressuscitado.

Boas Páscoas a todos!


+ D. António de Sousa Braga/Bispo/net

4 comentários:

Ana Pallito disse...

Santo seja o teu Domingo de Páscoa
querido.

Que toda alegria e esperança se faça em ti.

Luz disse...

Não é um telemóvel, é um comando de televisão, estou a mudar de canal EHEH.

Beijinho grande amigo.

Páscoa Feliz

Nenos disse...
Este comentário foi removido por um gestor do blogue.
Joseph disse...

O comentário que foi eliminado anteriormente, era o vírus HERE que se instala no PC se for aberto.

Cuidado:
Tens vários nomes, mas diz sempre: Here or here.

Bjos.