quarta-feira, 9 de julho de 2008

Almirante Pinheiro de Azevedo - 1975 - Part 2





"...Não gosto de ser sequestrado... é uma coisa que me chateia..."


Nascido em Luanda em 1917
, Pinheiro de Azevedo entrou para a Academia Naval aos 17 anos e para a Guarda Marinha aos 20. Foi professor de Astronomia e Navegação na Escola Naval e professor do "Curso de Capitães" na Escola Náutica. Deixou vários livros técnicos sobre Trigonometria, Meteorologia e Navegação. Durante a guerra colonial comandou a defesa marítima da província angolana do Zaire. Entre 1968 e 1971 foi adido naval da embaixada portuguesa em Londres.(Faleceu em Lisboa em 1983).

Quando se deu o 25 de Abril, era capitão-de-mar-e-guerra e comandante dos fuzileiros. Foi membro da Junta de Salvação Nacional, o órgão provisório de governo formado logo após a revolução, e desempenhou um papel importante no período a que se chamou PREC (Processo Revolucionário Em Curso).

Em Agosto de 1975, foi designado primeiro-ministro do VI Governo Provisório, substituindo Vasco Gonçalves. O seu Executivo incluiu nomes como Salgado Zenha, Melo Antunes, Almeida Santos e Rui Machete. Pinheiro de Azevedo chefiou-o até às eleições de 1976, das quais saiu o I Governo Constitucional.

"Frases pitorescas" O almirante proferiu algumas tiradas que ficaram para a História. A 12 de Novembro de 1975, estando o Parlamento cercado por operários da construção civil em greve e diversos elementos ligados ao Partido Comunista, alguns manifestantes chamaram fascista a Pinheiro de Azevedo. A resposta não se fez esperar: "Bardamerda para o fascista!". Ainda durante o cerco, o "almirante sem medo" teve uma atitude inédita: auto-suspendeu-se por falta de condições para governar.

Soares recordou à agência Lusa a "colaboração estreita" que manteve com Pinheiro de Azevedo e realçou "a sua importância na estabilidade democrática do país". O ex-Presidente da República assinalou que "apesar das frases pitorescas, quando entrava em cólera, e de algumas divergências e discussões públicas", sempre lhe teve "muita estima e consideração pelo contributo que deu para a democracia pluralista em Portugal, num período de pressões muito complicado". Palavras que evocam a posição assumida por Pinheiro de Azevedo, na RTP, poucos dias após o 25 de Novembro: "Chegou a hora dos partidos políticos." Durante o seu Governo, a instabilidade que marcou todo o PREC esteve várias vezes a ponto de desencadear numa guerra civil. Sobre o golpe que pôs fim ao período revolucionário escreveu o livro "25 de Novembro sem
máscara".


Pinheiro de Azevedo era primeiro-ministro quando a Indonésia invadiu Timor-Leste, perante a quase inacção e posterior fuga de Portugal, que era potência administrante daquele território, hoje país independente. Já em 1981, o jornalista Artur Albarran entrevistou o almirante para o programa "Grande Reportagem" da RTP. Quando perguntado sobre a reacção do seu Governo à invasão, Pinheiro de Azevedo respondeu: "Foi seguir a lei do menor esforço..."
PortugalLivre/Net/Joseph


Para ouvir o vídeo, desligar primeiro a barra de música, à direita, se estiver a tocar.

4 comentários:

Andreia do Flautim disse...

Essa frase dele está um espectáculo!

Diva disse...

Gostei. nao conhecia nada. Mas, um pouco de historia sabe sempre bem.
Bjs meus

Carla disse...

polémico e intenso...um homem de convicções que foi interessante ver aqui relembrado!

Cöllyßry disse...

Gostei de saber, não conhecia tão perfundamente...

Terno amigo, beijito